Opinião: Já passou da hora de a Apple repensar o iTunes

Jason Snell, Macworld / EUA
13 de abril de 2012 às 07h00
Lançado em 2001 como app de reprodução de músicas, software envelheceu mal ao acumular funções como sincronização de aparelhos iOS

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Quando a Apple apresentou o iTunes em 2001, ele tinha uma função: funcionar como um aplicativo para tocar músicas. Ainda naquele ano, o programa ganhou seu recurso mais importante: a habilidade de sincronizar faixas com o então recém-lançado iPod. Originalmente, você podia apenas arrastar as músicas para o seu iPod e elas seriam copiadas. O software possuía recursos de sincronização automática de faixas que eram rudimentares, mas cumpriam seu papel.

Isso foi há muito tempo. Atualmente, o iTunes é, ao mesmo tempo, o produto mais importante e o mais problemático da Apple. É um tocador de músicas e vídeos. É uma loja, o portão de entrada para a compra de músicas, toques, e aplicativos iOS. E obviamente é um sistema de sincronização, conectando-se a aparelhos da Apple, como o iPhone, iPod e Apple TV.

A Apple empacotou quase tudo que envolve o gerenciamento, a compra e a reprodução de mídias e apps neste único programa. Ele está no limite. É uma completa bagunça. E é hora de uma renovação.

Eu uso o iTunes todos os dias para ouvir música no meu Mac no trabalho, e ele funciona bem. Não é perfeito, mas é bom. Meus problemas não são com o recurso principal do iTunes, reproduzir músicas. Eles estão ligados a todas as outras coisas que o software precisa fazer desde então.

O iTunes sincroniza as mídias e os apps em todos os seus aparelhos iOS, e até agora não consigo pensar que ele é flexível ou confiável. Não consigo lembrar quantas vezes tive que apagar tudo e sincronizar novamente músicas, ou vídeos, ou apps, porque o iTunes se confundiu sobre se já havia feito uma sincronização para aquele aparelho específico antes.

Pesadelos de sincronização

Recentemente conectei o iPad da minha mulher ao nosso Mac em casa para adicionar alguns vídeos para os nossos filhos assistirem. O iPad nunca havia sido sincronizado com esse Mac antes, porque eu estava usando o iCloud e a App Store. No momento em que conectei o tablet, o iTunes tentou sincronizar sua própria coleção paralela de apps ao iPad, o que eu não queria. Quando tentei me livrar desse recurso, ele ofereceu uma decisão que nunca tinha visto antes: apagar todos os apps do iPad, ou mantê-los e interromper a sincronização. A segunda opção era exatamente o que eu queria. Por isso a escolhi, e assisti ao iTunes apagar todos os apps mesmo assim.

Como todos os apps estão disponíveis na nuvem atualmente, não sei exatamente a razão pela qual o iTunes está agressivamente tentando sincronizar aplicativos com aparelhos. Na verdade, dados os movimentos agressivos da Apple com o iTunes Match e o iTunes no iCloud, até mesmo a Apple parece perceber que sincronizar mídias com um Mac ou PC rodando o iTunes é algo meio bagunçado. 

Em vez de continuar a arrumar um sistema de sincronização que é horrível desde o início e só tem ficado pior, é hora de a Apple dar um passo para trás e repensar inteiramente o sistema de sincronização de aparelhos. Atualmente parece que a empresa está planejando resolver esse problema ao ter todos os aparelhos de um usuário fazendo download de tudo, um recurso introduzido no iOS 5. Esse não é um começo ruim, mas os usuários não deveriam ter de escolher entre a nuvem e seus computadores locais – eles deveriam poder ir nas duas direções sem problemas. Adicionar um simples filme ao iPad não deveria demorar 25 minutos e o risco de perder todos os seus apps no caminho.

E vamos ser honestos: o iTunes chega ao seu pior quando o assunto é gerenciamento de apps. A interface de gerenciamento de aplicativos do software é ridiculamente lenta. O iTunes pode lotar seu disco rígido com dezenas de gigabytes de aplicativos iOS que podem ser facilmente baixados pela loja da Apple. Sincronizar apps frequentemente destrói pastas e faz alguns apps desaparecerem. A interface que mostra onde os ícones do app aparecem no seu aparelho iOS é instável, inseguro, e ineficiente.

Hora de simplificar

Se a Apple vai abraçar a nuvem sempre que possível, ela também precisa mudar o iTunes. O programa deveria ser mais simples. Ele pode ficar melhor sendo dividido em apps separados, um dedicado a sincronização de aparelhos, e outro devotado a reprodução de mídias. (E talvez a iTunes Store também pudesse ser “quebrada” separadamente? Quando a Apple introduziu a Mac App Store, não a colocou dentro do iTunes, mas criou seu próprio aplicativo.)

O iTunes que todos viemos a conhecer percorreu uma boa jornada, mas chegou ao ponto em que é uma aglomeração louca de recursos e funcionalidade. Se alguém fosse desenvolver o software hoje, ele não iria lembrar em quase nada seu estado atual. E como um portal para os aparelhos iOS e a iTunes Store, o iTunes também é essencial para a Apple ignorar ou gerenciar no piloto automático.

Quando o assunto é hardware, a Apple é ótima em substituir produtos antigos famosos com algo novo que é diferente, mas melhor. É hora de a empresa fazer o mesmo com o iTunes. 

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