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Apple e a Macworld Expo: o que deu errado?

Anúncio da Apple não é uma surpresa: a companhia vinha se preparando para o momento faz tempo. Só que as duas notícias eram interdependentes.

  • Por Jason Snell, diretor editorial da Macworld/EUA
  • 17-12-2008- (Atualizado em 17 de dezembro de 2008 às 12h17)
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Leia mais: Organização da Macworld Expo responde à Apple Análise: o fim de uma era para a Macworld Expo Macworld, em janeiro, será a última com participação da Apple

A notícia de que Steve Jobs não vai aparecer na Macworld Expo e que a Apple não vai participar mais do evento depois de 2009 veio como um choque. Estou espantado que a Apple passou a considerar o evento – com mais de 20 anos que era o único ponto de encontro da comunidade de usuários e fabricantes de outros produtos ligados à Apple – como um pedaço de papel que se joga no lixo. Mas não é uma surpresa: a Apple vinha se preparando para este momento faz tempo.

(Antes de continuar, um pequeno esclarecimento: a Macworld Estados Unidos é publicada pela Mac Publishing, companhia ligada ao IDG – International Data Group. A Macworld Expo é feita pela IDG World Expo, que também é ligada à mesma estrutura corporativa do IDG, que divide distintos negócios em diferentes companhias. Apesar de ser editor da Macworld, minha unidade não recebe nenhum dinheiro das operações da Macworld Expo. A Macworld Brasil é editada pelo Now! Digital Business, parceiro exclusivo do IDG no país).

A hora de fazer esse anúncio também vem no momento errado. Apenas três semanas antes do keynote, e a Apple decide anunciar seus planos não só para o discurso de abertura do evento, mas também para o evento de 2010. Por que agora? Minha aposta é que um precisava do outro.

Imagine se a Apple anunciasse apenas que Steve Jobs não apareceria na Macworld Expo. Imediatamente, a especulação sobre seu estado de saúde aumentaria. Uma Macworld sem Jobs seria um catalisador para inúmeros questionamentos sobre o CEO da Apple.

A última participação da Apple na Macworld 2009 reduz um pouco a especulação. Não é algo que vai sumir de repente, mas com o segundo anúncio, a Apple mudou o foco da ausência de Steve Jobs para a morte da Macworld Expo.

Eu não sei nada sobre a saúde de Steve Jobs, e não gosto nem um pouco da especulação sobre a vida de um ser humano. (Embora acredite que se ele estiver mal os acionistas precisam ser avisados. Caso contrário, é uma questão pessoal dele). Quem sabe a verdadeira razão da ausência de Jobs no keynote? Existem diversos motivos para isso, sem precisar apelar para a questão da saúde. Talvez não tenha um lançamento incrível para acontecer.

Talvez alguém do IDG Expo tenha ofendido alguém na Apple. Talvez um lançamento previsto para a Expo esteja atrasado, seja por razões técnicas ou pela questão econômica, desfavorável para colocar um novo produto no mercado.

Surpresas
Agora vamos ver porque o anúncio da Apple não me surpreende. Voltemos um pouco no tempo, na virada do século. Naquela época, existiam duas Macworld Expo – uma em janeiro, em San Francisco, e outra na costa leste, no meio do ano (primeiro em Boston, depois em Nova York). A Apple saiu da feira de Nova York quando foi anunciado seu retorno para Boston. O que veio primeiro depende da versão de quem conta. Meu ponto de vista: os últimos keynotes da Apple na Macworld Expo Nova York foram fracos. Havia pouco para oferecer, e grandes expectativas se tornaram em desapontamento.

Estava claro que a Apple se cansou de anunciar produtos baseada no calendário de outras empresas. O fim da Macworld Expo da costa leste concentrou as expectativas apenas para o evento de San Francisco.

Ao mesmo tempo, a Apple começava a anunciar produtos em outras ocasiões, e ficar boa nisso. O keynote da conferência de desenvolvedores passou a ser algo interessante – em vez de sonolento. E a Apple começou a fazer coletivas de imprensa, com grandes anúncios em sua sede e em diversos outros locais de San Francisco e San Jose, na Califórnia.

Esses eventos eram marcados pela Apple, controlados pela Apple e apenas com convidados VIP da Apple (jornalistas, analistas e funcionários da empresa). Nada de público para visitar, e nenhum intermediário como o IDG World Expo para ficar no caminho. Eu acredito que o controle das datas era o mais importante: a Apple anuncia novidades quando quer, em vez de ficar ligada a um evento de mercado com data marcada.

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